sábado, 23 de janeiro de 2010

Praias da minha meninice

Pedras Amarelas, Lavadores areais dourados salpicados de negras penedias onde à sua sombra nos acolhiamos e namoravamos.
Tardes quentes de Agosto, escaldantes e luminosas, onde o sol ainda não tinha fama de transmitir doenças de pele ou outras, mas sim tingir o nosso corpo daquele lindo tom dourado de que tanto gostavamos.
Depois lá pelo meio da tarde vnha o " Toninho" com o seu cesto de patéis que era um alvoroço para a pequenada.
Não se descançava enquanto as nossas mães não nos dessem, uma bola de berlim, um pastel de nata ou um fôfo bolo de arroz. E o "Toninho" todo sorridente, com a sua dentadura de um branco imaculado como o seu boné e fato, nos entregava o cobiçado doce. Era um amor, este homem africano, sempre meigo e simpático para a pequenada da praia.Para nós era uma ave rara, naquele tempo eram poucos os Africanos que andavam por cá, quando apareciam eram admirados e sempre bem tratados.
Pois este meu "Toninho" muitos anos mais tarde eu já mãe de família fui encontrá-lo, como porteiro, numa das boas casas de modas do Porto, a casa Africana. Lá estava ele, de porte impecável, com uma postura de senhor, mas de senhor educado, simpático e sempre sorridente.
Foram estas lembranças da minha meninice que hoje me saltaram à ideia. Memórias lindas de um ontem ainda tão perto e que as de hoje já serão passado amanhã.
Praias da minha infancia, que hoje modernamente arranjadas, lindas e cosmopolitas, não deixam me de suscitar algumas saudades.

Praias da minha meninice

domingo, 27 de dezembro de 2009

A minha infância

1941, segunda guerra mundial,um casal casado há quatro anos atrás, tem a sua primeira filha,que deseja ardentemente, depois desta LONGA espera, 4 anos, e lá estou eu, sou eu a filha tão esperada e sempre tão amada.Como disse estamos em plena guerra, imensas dificuldades, salários miseráveis, falta tudo, racionamentos.Mas nesta casa abençoada,a de meus pais, com muito trabalho do pai e da mãe, nunca falta nada, especialmente para as meninas,pois ao fim de dois anos e meio como filha única chega-me uma irmã, para completar este lar.
Esta casa,este lar cheio de amor e aconchego, nasceu na única aldeia medieval que existia em Gaia, e se chamava "PAÇO DE REI", e que quis o destino e as politicas de anos bem recentes, ter sido arrazada, soterrada em asfalto e em cimento de prédios enormes, quase não deixando vestigios.Vestigios dos PINHAIS DA MINHA INFÂNCIA. Como era bom, nestes dias de Inverno, frios e chuvosos estar na cama quentinha a ler o livro da Condessa de Segur,As Meninas Exemplares, ou o jornal o Mosquito, e a chuva lá fora, bate leve, levemente como quem chama por mim...mas é chuva sim, é chuva e eu quentinha nessas saudosas férias de Natais inesquecíveis da minha feliz infância, e de onde eu da janela do meu quarto via os campos alagados e os pinhais envoltos em nebelinas e nevoeiros, os carros de bois e chiar nas pedras da calçada que faziam parte do Caminha de S. Tiago. Este lugar, esta aldeia merecia mais respeito, merecia ter sido perservada.