1941, segunda guerra mundial,um casal casado há quatro anos atrás, tem a sua primeira filha,que deseja ardentemente, depois desta LONGA espera, 4 anos, e lá estou eu, sou eu a filha tão esperada e sempre tão amada.Como disse estamos em plena guerra, imensas dificuldades, salários miseráveis, falta tudo, racionamentos.Mas nesta casa abençoada,a de meus pais, com muito trabalho do pai e da mãe, nunca falta nada, especialmente para as meninas,pois ao fim de dois anos e meio como filha única chega-me uma irmã, para completar este lar.
Esta casa,este lar cheio de amor e aconchego, nasceu na única aldeia medieval que existia em Gaia, e se chamava "PAÇO DE REI", e que quis o destino e as politicas de anos bem recentes, ter sido arrazada, soterrada em asfalto e em cimento de prédios enormes, quase não deixando vestigios.Vestigios dos PINHAIS DA MINHA INFÂNCIA. Como era bom, nestes dias de Inverno, frios e chuvosos estar na cama quentinha a ler o livro da Condessa de Segur,As Meninas Exemplares, ou o jornal o Mosquito, e a chuva lá fora, bate leve, levemente como quem chama por mim...mas é chuva sim, é chuva e eu quentinha nessas saudosas férias de Natais inesquecíveis da minha feliz infância, e de onde eu da janela do meu quarto via os campos alagados e os pinhais envoltos em nebelinas e nevoeiros, os carros de bois e chiar nas pedras da calçada que faziam parte do Caminha de S. Tiago. Este lugar, esta aldeia merecia mais respeito, merecia ter sido perservada.
domingo, 27 de dezembro de 2009
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